Afinal, o que é Psicomotricidade Relacional?
Uma história sobre a Psicomotricidade Relacional
O que é Psicomotricidade Relacional
Minha primeira vivência
Era maio de 2019 e o CIAR fez um seminário para alguns diretores de escolas de Araucária. Como a diretora da instituição onde eu trabalhava não poderia ir, ela me indicou no seu lugar e assim eu conheci, na prática, a Psicomotricidade Relacional.
Muitos adultos descalços, reunidos em uma sala enorme e no fundo um saco gigante cheio de bolas. Lembro de ficar um pouco perdida, com vergonha e sem saber exatamente do que brincar. Então observei outras pessoas, comecei a jogar a bola pela sala, tímida, sozinha e, quando vi, estava rolando no chão com mais um grupo de mulheres, rindo loucamente e tentando roubar a maior bola de todas, que estava com um homem.
Foi tudo muito rápido e espontâneo. A vergonha passou, a música alta ajudou e logo estávamos disputando bolas ou jogando uns com os outros. Eu vi ali muitas crianças, eu entre elas. Algumas estavam brincando, outras mais nos cantos, ainda perdidas.
Os profissionais que guiavam a vivência começaram a direcionar um pouco: primeiro tínhamos que pegar o maior número de bolas que conseguíssemos defender, depois nos unimos em duplas, quartetos e, por fim, dois grupos em lados opostos da sala, dando a vida para conseguir roubar as bolas um do outro.
Foi um misto de alegria, empolgação, prazer, determinação e coragem. Não me preocupei com nada além de correr, pegar ou defender bolas. Éramos todos adultos vivenciando a leveza e o prazer da infância novamente, nos reconectando com o que importa, com algo esquecido, deixado de lado ou ainda nunca vivido. Éramos uma equipe, confiamos uns nos outros, nos protegíamos e nos defendíamos. O mais curioso é que não nos conhecíamos de fato.
Nesse dia eu desejei poder viver isso mais vezes.
Mais tarde percebi que a Psicomotricidade Relacional precisa ser vivida no corpo antes de ser explicada. É uma abordagem que trabalha as emoções e as relações em diferentes espaços e com diferentes idades, seja na escola, em ongs, nas empresas, hospitais e também na clínica, como terapia.
Ela ajuda na regulação emocional, na percepção corporal, na expressão de sentimentos, no fortalecimento da autoestima e da autonomia, assim como também atua de forma muito importante em aspectos relacionas à limites, agressividade, afetividade e timidez, independente da existência de um diagnóstico.
A Psicomotricidade Relacional acontece por meio do jogo simbólico e do brincar espontâneo, com diferentes materiais, em um espaço amplo, onde a criança pode expressar suas dificuldades e mostrar suas potencialidades, tendo o adulto sempre junto com ela, ajudando-a a encontrar outras formas de se expressar, mais positivas, com objetivo de trazer mais qualidade de vida, melhorando a relação consigo mesma, com os outros e com o mundo.
Gosto muito de enfatizar que, na Psicomotricidade Relacional, trabalhamos com pessoas, não com rótulos, e partimos do que elas já sabem fazer, reforçando sempre os comportamentos mais positivos, enquanto os negativos são reconhecidos, validados e redirecionados. Aqui a criança é vista e acolhida, encontrando um lugar seguro para simplesmente ser ela. É sensacional!

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